ALGUMA COISA ESTÁ FORA DA ORDEM



Algo está faltando.
Seriam as cores?
Uma delas, talvez.
Se eu soubesse quantas existiam, poderia me assegurar de que ao menos uma deixou de existir.
Acho que não. Eu perceberia a ausência.
A ausência de uma cor é a cor-de-nada. Tudo tem uma cor, claro!
Preciso me certificar...
... Se uma coisa existe; Eu a reconheço pela forma e cor. Caso essa cor mudasse, mudaria para outra cor da qual eu notaria. Causaria-me espanto descobrir uma nova cor.
Uma cor não altera o fato de algo existir. Então, se uma cor simplesmente sumisse, ainda assim reconheceríamos a matéria cor-de-nada.
Ai que complexo. Ok, não são as cores.
Seria o tempo?
Poderia ser!
O tempo é indiscutivelmente assimétrico!
Quem garante que o tempo não muda?
A terra gira em torno de si enquanto dá um passinho discreto em torno do sol. Além do sol, em que podemos nos basear para certificar-nos de que um dia começou e terminou precisamente no mesmo horário em que o anterior?
Nas estrelas – Vocês dirão.
Eu não confio nas estrelas! Quem garante que uma estrela safadinha também não resolveu passear, só pra dar a impressão de que o tempo esteve trabalhando?
Por acaso ninguém nunca bateu o cartão pro colega que chegou atrasado?
Muitos, se lessem, pensariam: “Que louco esse rapaz.”
E eu digo pensariam, pois ninguém lê nada. Quanto mais a mim, que nada sou.
Mas, se por ventura alguém me lesse, esse sim pensaria que sou louco.
Dentre eles, os conceituais e os medíocres!
Os conceituados ainda respeito, pois se baseiam em parâmetros que necessitam de empenho para serem definidos. Mesmo que todos os conceitos tenham sido inventados, pois tudo é uma dedução.
Inventamos a família. Um conceito que só existe na teoria, constituído por pessoas que competem entre si e se deliciam ao ver o fracasso consangüíneo.
As pessoas casam e juram ser monogâmicas até o limite da vida. Um finge, bem mal, que é fiel e o outro finge que acredita. E por qual motivo? Dizem que Deus quer que seja assim.
- Pronto, dei motivos para que achem que minha família não presta. –
Inventamos leis. Que punem as únicas coisas autênticas que um homem pode oferecer. Os instintos.
Inventamos a bondade.
Eu duvido que alguém seja bom sem interesse. Seria alguém bom, se pudesse fazer o que sente vontade sem ser preso, punido, demitido ou abandonado?
Temos que ser bons. E por qual motivo? Pois Deus quer que seja assim, dizem.
E o que Deus faz com quem não é bonzinho? Vai queimar aonde? Ah!...
Eu espero que o inferno exista, pois seria muito revoltante ter sido hipócrita uma vida inteira. Não é, gente?
Agora, o que são os medíocres?
Poderia eu me irritar com gente dessa espécie?
Não deveria, mas afinal eu não sou católico. Posso transgredir algumas regras.
Eu observo atento a toda objeção medíocre que me fazem, para me certificar de que eu posso sorrir disfarçadamente por um cantinho da boca.
Caesar Pierini

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