AMIGO

As palavras encerram conceitos. 
São definições abstratas, ilustrações rascunhadas de sensações e a tentativa de organização de um senso quase sempre discordante.
Quero distância da sintaxe ou da linguística, eu falo de afetos. Estaria, no máximo, fazendo uma crítica à pobreza do léxico, mas não.
Nem mesmo sei se minha tristeza se encontra na ineficiência das definições comuns ou na carga semântica que deposito nas palavras.
Algumas palavras têm peso, cor, textura e chegam a ter cheiro; têm sentimentos e ordenam prioridades.
Há palavras que guardam os tesouros de alguém.
Talvez a palavra “mãe”. Porém “mãe” também admite diversas definições e registros íntimos. A palavra “mãe” varia conforme a Fortuna deseja, sendo assim, sacra ou vulgar.
Mãe não se escolhe, não se nomeia, não é título e nem se contempla por honra ao mérito.
Não tentarei me aventurar pela palavra “amor”, pois todos que tentam dançam uma alucinante ciranda sem fim.
Na verdade não quero falar nada, só quero entender a fragilidade de um dos significados mais sagrados, o do significante “amigo”.
“Amigo” não é uma palavra, é presente, um regalo fino.
Ninguém nasce amigo, ninguém tem amigo de terceiro grau...
“Amigo” é a ausência de qualquer obrigação, é o dedicar voluntarioso do amar e do sofrer.
Ter um amigo é escolher alguém, é formar um elo anímico de sustentação e zelo.
Amigo é sempre amigo, não admite variação. Pra variação dizemos “colega” ou “conhecido”.
Amizade é o ato que se dá entre dois amigos. É também hiperônimo de cumplicidade, de reciprocidade, de segredo, de preocupação, de atenção, de saudade e, sobretudo, de verdade.
Mas também de paciência, de compreensão, de abnegação e, tantas vezes, de perdão.
Um simples vocábulo, apenas cinco grafemas, que necessita da metade de um dicionário pra ser definido.
O significado de “amigo” não se altera, mas, quando em ato, compreende a dificuldade de sua manutenção. (Ainda que silenciosa e dolorosamente.)

Cesar A. S. Pierini - 02.06.14

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Lá no Fundo

Lá no fundo, eu queria um peito pra repousar.
Um peito-sutileza, um peito-colo, peito-certeza...
Um peito-verdade, peito-lealdade, um res-peito.
Lá no fundo (nem tão fundo assim), eu queria era um carim!
Mas amanhã eu vou dizer que não, que não dá tempo...
E fingir que acredito não ser o momento.
Caesar. S. Pierini 

20.06.2014

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